Desse modo, a Igreja reconhece ser um espaço importantíssimo para a propagação da verdade e da fé e ser ainda um “novo areópago para a evangelização”, como afirmou o Beato João Paulo II. Entretanto, nem sempre as redes sociais são utilizadas para uma comunicação que gera a vida. Imersa no mundo caótico e sem sentido, essas plataformas digitais são descaracterizadas da sua função social de promover a dignidade humana e os princípios cristãos.
Seja por um comentário que se faz ou por uma imagem que se coloca, há nitidamente que algumas pessoas estão equivocadas ao apropriar-se desse ciberespaço. De modo que, ao contrário, as redes sociais podem e devem ser canais de comunicação que unam as pessoas, partilham informações, fortaleça amizades, promova importantes discussões sobre as várias instâncias da vida humana, que realmente, facilite a comunhão. Sabemos que a pessoa que tem o conhecimento detém o poder, e quem compartilha, influencia e transforma de alguma forma a vida das outras pessoas e a realidade que as cerca. Esse conhecimento deve estar fundamentado nos valores que parecem estar esquecidos na atualidade, e a mensagem para esse dia, novamente enaltece: a autenticidade. Hoje em dia é difícil falar em veracidade, transparência e honestidade. Os dramas e conflitos que assistimos que acontecem na vida humana enfatizam cada vez mais o niilismo.
Tendo em vista a temática da mensagem para essa celebração, somos convidados a refletir sobre a nossa presença no mundo digital. Filosoficamente falando, será que realmente somos e existimos nas redes sociais? Ou seja, será que realmente eu sou aquilo que comunico? Será que a minha existência no ciberespaço é significativa? Muitas vezes aparentamos ser e fingimos estar.
Vivemos no mundo das aparências, cuja lógica defende que não basta ser, mas precisa parecer ser. Logo, há uma complexidade em definir os conceitos ser, existir e estar nesse contexto tecnológico. A pós-modernidade com a globalização e as teorias antropológicas da complexidade gera veementemente a indiferença nas pessoas. Em nossas relações humanas somos mecânicos, convenientes, interesseiros e miméticos. Ações que, por sua vez, não expressam vida, amor, esperança e solidariedade.
Ao passo que as redes sociais são alimentadas pelos anseios que brotam do coração das pessoas, devemos cultivar princípios que condizem com a nossa essencialidade e espiritualidade, isto é, que expressem o sentido do nosso modo de ser e da nossa existência. A espiritualidade é uma virtude que pode ser vivida e testemunhada na e pelas redes sociais e ajudar a difusão desses valores. Todavia, busca-se uma vida cada vez mais efêmera, fluida e líquida, influenciada pela cultura do consumo hedonista, do mecanicismo e do mercantilismo, prescindindo da dimensão espiritual.
São perceptíveis as pessoas que cultivam uma vida de fé alicerçada pela oração, tanto no seu modo de falar e ver a realidade e como no seu agir na sociedade. O contrário também logo se percebe, pessoas que não possuem uma espiritualidade, um princípio de fé ou de vida, apresentam atitudes que não vem de Deus e um discurso denunciatório que a todo o momento julga as pessoas e a realidade, e no final não promovem nenhuma ação beneficente para reverter a mediocridade e a opressão.
Convivemos com pessoas que falam, mas não comunicam, fazem, mas não agem com sinceridade e caráter. A violência e os conflitos entre as pessoas e os países estão correlacionados com a falta dessa espiritualidade, a falta de Deus no coração humano e de suas ações. Ao celebrar o Ano da Fé no cinquentenário do início do Concílio Ecumênico Vaticano II, somos convidados como cristãos a refletirmos sobre a nossa espiritualidade. O grande convite da Igreja é que o encontro pessoal que tivemos com Jesus Cristo, de fato nos leve constantemente a uma vida de fé convicta e verdadeira que resulta no serviço aos irmãos e as irmãs, especialmente os mais pobres, como nos recorda o estimado Papa Francisco.
“Devemos sair dos grandes centros urbanos e percorrer as periferias”, lembra o sucessor de Pedro. Sendo assim, somos chamados a sair do mundo da aparência, da superficialidade, do sensacionalismo e dos espetáculos e adotarmos posturas que nos levem a ações profundas, concretas e eficazes. A proposta da nova evangelização é justamente essa, a de ir ao encontro daquelas pessoas que necessitam não só de condições mínimas para viver, mas que perderam o sentido da vida.
Portanto, que a comunicação da Igreja, a nossa comunicação e a comunicação do mundo todo seja para valorizar a vida e gerar ações de solidariedade entre todas as pessoas. Vale ressaltar que as relações virtuais não substituem o contato pessoal. Por isso, saibamos construir relações autênticas de amizade e de paz, independentemente do número de amigos que temos em nossa rede social, mas que sejamos verdadeiros naquilo que somos, fazemos e professamos, e tenhamos pessoas assim ao nosso lado para que a nossa vida e a das outras tenham sentido, não somente existencial, mas espiritual.
Ainda, a comunicação nas redes sociais precisa ser compreendida não como portas de saída da realidade, mas extensões capazes de enriquecer a nossa capacidade de viver as relações e partilhar informações, bem como uma oportunidade para darmos sentido a nossa vida e buscarmos a verdade no modo de ser e agir. Estejamos sempre online para essa realidade que nos transforma e que deve gerar a justiça, a fraternidade e o amor. E por fim, que a exemplo de São Francisco de Assis, nossa vida tenha sentido a partir de uma comunicação que seja instrumento da paz no mundo!
(Diego Santos é Jornalista bacharel em Comunicação Social pelo Instituto Superior de Ciências Aplicadas, Pós Graduando em Comunicação Social pela PUC - COGEAE e seminarista da Diocese de Limeira – SP graduando do 2º ano de Filosofia pela PUC- Campinas. Foi coordenador diocesano da Pastoral da Comunicação e atualmente é pesquisador em Comunicação Organizacional, Institucional e Estratégica).